reflexão

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poema-Do cd Canto para um Canto de Kleber Brito membro da AMCAL

💜 Cajueiro Grande 💜

Pra quem tá chegando agora
Vou mostrar
Mais ou menos por ali
Ficava o cajueiro
Com seus ninhos de japi
Era árvore frondosa
Vários homens pra abarcar
Hoje é apenas saudosa
Porque mandaram cortar
Cajueiro grande tem saudade
Quem te viu
No meio da garotada
Só João Guiba que subiu
Brincamos na tua sombra
Hoje é só recordação
Flora nativa que tomba
Em nome da urbanização.

Kleber Brito

Membro da AMCAL , música do cd
Canto para um Canto.

reflexão

” O egoísmo é um abismo que podemos evitar com a simplicidade de nossas ações , lutando contra os empecilhos que te impeçam de ver certas coisas de um jeito diferente e injetando seu coração com doses diárias de amor”

Alan Rubens

Conto

Conto: Maria Parruda

A dona Maria Firmina Silva, nascida em uma cidade da baixada maranhense, mais conhecida como Maria Parruda ou Maria Fogoió( fuveira como é chamado aqui pra nossa região pessoas que não são loiras mas pintam o cabelo na cor amarela) era uma mulher que tinha muitas características que causavam em alguns muita admiração por ser uma mulher de luta e que não se dava por vencida.
Maria Parruda devia possuir seus 45 anos e era viúva desde os 40. Tinha a pele morena clara, bem alta , um vozeirão , braços fortes e ao falar não tinha como não saber que tratava-se dela pelos exageros na intimação da voz e por seu tamanho, era alta. Tinha três filhos: João Raimundo(nome herdado do pai,25 anos), Maria Firmina, 22 anos e Maria Filomena com 19 anos.
Dona Maria, como chamavam uns, era prestativa e não perdia um parto , nem que fosse para esquentar a água pra parteira e passar o que esta pedisse, nos velórios era a voz dela que era mais ouvida na hora da reza para o morto, dentre outras qualidades que possuía.
O povo da redondeza adorava contar suas muitas histórias, já que não levava desaforo pra casa, como no caso do homem que mudou-se do povoado onde moravam por ter pego um murro na cara que chegou a desmaiar. Depois de uns dias o senhor vendeu a casa e o que tinha mudando-se do lugar, segundo ele, pra não matá-la, e as más línguas diziam que foi por medo.
Outra característica de dona Maria Parruda além de ser muito prestativa, lidava com suas vacas e cabras (que não eram muitas) tirava leite, colocava os animais para a pastagem montada no seu cavalo branco. Plantava no seu terreno, que não era muito extenso , mas de lá tirava suas verduras, frutas e a mandioca que com a ajuda dos filhos fazia sua farinha na casa de forno que possuía. Criava galinha , pato, porco e outras coisas das quais tirava seu sustento que juntava com a pouca pensão que recebia do viúvo. De nada reclamava, apesar de não ser rica costumava dizer:- Não somos ricos mais dá para almoçar , jantar e tomar café.
A dona Maria gostava de mascar fumo faria( um fumo de cor escura e úmido) e após mascar por uns minutos dava aquelas cusparadas longe. Ai cortava seu fumo( outro tipo), enrolava num papel branco (chamado abade ) ou até mesmo de embrulho e dava suas baforadas. Não relaxava tomar de vez enquanto sua cachaça ou mesmo conhaque com limão. À noite a gurizada juntava-se ao redor dela, sob o luar, na porta de sua casa sentados em moxos ou troncos para escutar suas histórias.
No fim do mês saía do povoado montada no seu cavalo e com um outro animal , onde colocava a cangalha com dois cestos, um de cada lado, para receber a pensão do viúvo. Comprava o que não tinha em casa e levava pra casa para passar o mês. Assim era dona Maria Parruda, com suas histórias, como tantos outros baixadeiros e de outros rincões desse Brasil afora que são felizes com seu jeito simples de viver, mesmo não tendo certos luxos mas que possuíam a alegria de viver.

Alan Rubens