Poema : Poetisa Rose Melo “A Iluminada”

Sem pressa!

Se a Vida não fosse tão difícil
Eu estaria a onde eu quisesse
Ficaria do seu lado sem pressa
Dormiria com as janelas abertas

Mas, a vida não é flor como pensas
Pra ser boa sem demora, custa tanto
E quando entender fará tudo diferente
Sorrir, abraçar com alegria no coração

É festa de felicidade pura, é verdade
Tenha certeza que a bondade passeia
Na cumplicidade toca a alma, certeza
É cumplicidade, é pureza venha só ver !

Rose Melo

Poema : Poetisa Rose Melo “A Iluminada’

Lure e Jainá

Venha ouvir a história
Encante – se com elas
Por seus belos cabelos
Os lindos olhos graúdos
Lure e Jainá são irmãos
Elas moram na comunidade
Quilombo do amanhecer
É um lugar espetacular

Durante o dia trabalham
Compromissos de todos
À noite sentam juntos
Pra ouvir as histórias
Os de mais idade contam
Sobre a vida dos ancestrais
Eles cantam, dançam alegres
Outros jogam capoeira felizes

Assim as crianças aprendem
O jovem assimila, desenvolve
Jainá e Lure treinam as crianças
Para as apresentações nas festas
Eles dançam maculelê, o côco,
São Gonçalo, Jango e capoeira
E simulam os rituais africanos
Apresentam a festa do Divino
Disseminando sua rica cultura.

Rose Melo

Crônica : Professor Zé Carlos

CENAS DO COTIDIANO XXXIV

A Ilha já se constitui no mais atual termômetro. Em dois, bem definidos, sentidos. Podem crer. Na insuportável temperatura, que nos cozinha os miolos; e na pressão política, que já antecipa as prévias para 2026. Sem meios termos nem firulas, já começaram as campanhas. E já dá para prever o que vem por aí. Por aqui. Por acolá. "É di arrupiá us cabêlo! É di levantá difunto!" e, nessa vil perspectiva, sem alguma paixão, o cenário político vem nos revelando o detrito, que se tornou "o fazer política". Com muita tristeza, se perdeu o rumo. Vivemos o cúmulo do absurdo. Tudo é possível. Até um vil deputado, literalmente, falar que a sua colega de parlamento (também deputada) "não era nada até ontem. Era só uma professora". E, aí, não preciso dizer mais nada. Afinal, há muito o professor se deixou se desrespeitar. Inclusive, defendendo políticos desse naipe. E me desculpe o baralho, que não merece tão infame metáfora. Agora, fiquei até preocupado. De verdade, esse deputado não saberá o que falo. Com certeza, não foi à escola! Nunca se deparou com "a semânquica" nem viu espécime tão raro. Uma professora e, por falar em falar, venho falando, já há um bom tempo, o isolamento, que nos impõem. E ficar sem se revoltar é impossível. Não tem como ficar calado. O povo baixadeiro se torna o mais escandaloso descaso, nos últimos anos. E não é exagero, não. Haja sofrimento! E olha que a travessia Ponta da Espera - Cujupe, ou vice-versa, é uma mina de ouro. Não duvidem. Se colocar ferribôti, sem intervalo, estará sempre cheio. Basta tirar a venda. Como dizia vovó, "o que desengana olho é ver". Então, que se veja! e, vendo, nem bem havia acabado de reler o esplêndido texto de Humberto Pessoa, A TRAGÉDIA ANUNCIADA, e "o mesmo" sucateado ferribôti, de sempre, volta a apresentar "o mesmo" problema e o pior. Vai se encarando tamanha tragédia como algo normal. E corriqueiro. E, se isso, realmente, foi notado, não se deu a devida importância. Nem alarmou. Só se fez ouvido de mercador e se direcionou o olhar para outras paragens. E o povo, como única saída, que se apegue com Dom Sebastião ou, definitivamente, se afunde. E "tudo segue como dantes no Quartel de Abrantes" e, como só "vou curtir raiva, falano nisso" e "não me saí da cabeça" qual é a (des)função do professor nesta sociedade, tão perdida de si mesma, vou me recolher em busca de uma teoria, que enquadre "os politiqueiros", que "tomaram 'de' conta" de nossa tão amada pátria! Espero que consiga Inté maise!

Zé Carlos Gonçalves

Reflexão

Não se esqueça que o hoje amanhã será ontem. Assim serão os momentos que a cada instante mudam. Então vivamos o agora da melhor maneira possível, aproveitando – o, ao máximo, com sabedoria e gratidão, pois logo tornam – se passado. A vida é uma dádiva especial e maravilhosa e viver é uma poesia que enriquece a alma, a autoestima diariamente…É um encantamento!

Alan Rubens

Piema : Poeta Jorge Furtado

SENTIMENTO

Sinto aquilo que escrevo.
Escrevo aquilo que sinto.
Sou muito conectado comigo.
Meu passatempo preferido
E me permitir ser eu,
Sem meias palavras,
Sem rodeios, sem eufemismo
Permito-me ser eu e ponto.
Doa em quem doer.
Não quero que ninguém viva por mim.
Se é para sofrer
Hei de sofrer sozinho
Até a última lágrima do pranto da minha penitência .
Resiliência?!
Ah, essa eu cultivo por excelência,
Desafios?!
Ah!… Eu vos afirmo categoricamente, com pureza d’ alma: sou viciado inveterado neles.
Sem eles a vida não passa de uma intragável monotonia.
Necessito vitalmente de estar a frente do from de batalha.
Medos?
Ah!…Aprendi com eles a não temê-los.

E assim vou remando o barco da efêmera existência até a margem de lá.

Jorge Furtado