Poema – Poetisa Antonia Nery Vanti

Sou outra
Você sabia
Como eu o queria
E, assim mesmo,
Me abandonou.
Deixou-me chorando,
Lágrimas derramando,
Nem assim você se importou.
Você se foi,
E eu perdida, ali fiquei,
A mágoa machucando
O coração desesperado,
A desilusão, comigo acabando.
Nossos momentos
De amor e carinho,
Ficaram enterrados
No tempo que passou.
Hoje sou outra,
Meu amor por você,
Foi murchando,
Como murcha uma flor.
Hoje, nada mais resta,
Meu amor
Por você, também acabou.
Recuperei a alegria
Sepultei a saudade
E, com ela, a dor que doía..
Matei as lembranças
Busquei esperança,
Encontrei outro alguém,
Que me deu mais valor.
Meu amor por você,
Virou cinza…
Sumiu no horizonte
Evaporou…


Antonia Nery Vanti (Vyrena)

Poema – Poetisa Elza Melo “A Preciosa”

Te amarei
Todas as tardes de sábado
Quando tiver caminhando
Em qualquer lugar
Te amarei
Nas manhãs de domingo
No meu sono tranquilo
Contigo sonhar
Te amarei quando eu vê calmaria
Que lembra tua doce alegria
Que me faz apaixonar
Te amarei nas horas de saudade
Quando eu sentir tua presença
Em qualquer lugar
Te amarei quando o sol nascer
Quando um pássaro cantar
Quando meu coração te chamar
Te amarei no início de todas as noites
Nas madrugadas de chuva ou calor
Te amarei todos os dias
E em cada detalhe do meu amor.

Elza Melo

Música Infantil

💦 Bolhinhas de Sabão 💦

Vou brincar
Com água e sabão
Ão , ão, ão, ão, ão
Fazer bolhinhas
De sabão
Ão, ão, ão, ão, ão

Vou soprar
Pra ela flutuar
Até espocar
Ão , ão , ão , ão, ão
Minhas bolhinhas
De sabão
Ão, ão, ão, ão, ão.

Alan Rubens

Poema – Poetisa Marli F Freitas

“A VOZ DO SILÊNCIO

Algo aqui dentro sentia saudade de mim.
Por inúmeras vezes tentei desviar-me
Do olhar da menina,
Que se afogava num mar de inquietação.

Silenciei a voz,
Mergulhei profundo nas minhas verdades,
Até que foi inevitável:
O céu anunciou e a Terra estremeceu.
Já não cabia dentro de uma redoma…
Não queria nada demais, apenas respirar
Sem temer, nem a mim
E nem a si.

Abracei a minha luz e também a escuridão.
Não deixei de amar, mas amei de outra maneira.
Cuidei e zelei de cada miudeza,
Mas me acolhia na própria fidelidade.

Amei o dia e sofri a noite.
Surpreendi-me com algo muito simples;
Descobri que sabia sorrir.
Na minha solidão entendi, que,
Assim como as nuvens no céu,
Alegria e dor se alternam.

Aprendi a dar o devido valor as coisas,
Ensinei que nem tudo se mede em moedas,
Recebi de coração aberto as alegrias
E acolhi com sabedoria também as tristezas.

Enquanto esperei por si,
Estive ocupada pensando em mim.
Coloquei o meu coração no coração de todas as coisas,
E ainda sem nenhuma pressa,
Lancei o meu olhar sobre a sombra do meu mundo
E o milagre aconteceu.

O meu mundo quis conhecer o seu,
Mas com receio de ferir,
Chegava e partia.
O seu mundo me quis
Trazia-me certezas e se recolhia.

Nessa dinâmica de transição,
Libertava o velho e abria espaço para o novo.
Comecei a equilibrar a voz e o silêncio,
A dor e a alegria.

Sua certeza me conduz,
O meu afeto te suaviza.
A menina resgatou a minha verdade.
O seu chamado guia-me de encontro à luz.
Agora que tenho a mim,
Sinto saudade de si.”

Marli F Freitas / A Poeta de Minas Gerais
Direitos Reservados

Cordel – Poeta Gustavo Dourado

Cordel de Gustavo é selecionado em projeto da Lei Aldir Blanc para compor Antologia do Cordel da Bahia 2021.

ROMANCE DO CAPITÃO
MANOEL QUIRINO DE MATOS

Gustavo Dourado

A história vou contar
Desejo a sua atenção
Vou buscar sabedoria
E uma boa inspiração
Sobre Manoel Quirino
Um guerreiro do sertão

Pelo arraial de Milagres
Relatam que ele nasceu
Perto da Chapada Velha
O bravo héroi viveu
Nas quebradas do sertão
Assim que o fato se deu

O destemido Quirino
Foi um famoso capitão
Ele é de Barra do Mendes
Boa terra do sertão
Chapada Diamantina
No espaço setentrião

Foi o Canuto de Matos
O pai de bom coração
Dona Josefa, a mãe
Lhe deu boa educação
Terra de Barra do Mendes
Comandava Militão

Manoel Quirino sol
Da sombra do arvoredo
Na fazenda Pedra Lisa
Que pertencia a Rochedo
Hoje a bela Ibititá
Terra de gente sem medo

Lembro Manoel Quirino
De negócio e fazendeiro
Homem forte no garimpo
Seu nome sempre luzeiro
Foi temido e respeitado
De Irecê a Juazeiro

No tempo dos revoltosos
Jagunçagem no sertão
Pelo Estado da Bahia
Foi uma grande comoção
Os coronéis no comando
No combate a Lampião

Era o ano de vinte e seis
Revoltosos na Bahia
Com Prestes e Miguel Costa
A Coluna em demasia
Atacaram Pedra Lisa
Foi uma grande tirania

A Fazenda Pedra Lisa
Do capitão Manoel
Quirino, homem valente
Fez muito bem seu papel
Combateu a Coluna Prestes
Deu-lhe bala, sangue, fel

A sanha dos revoltosos
Foi ato de rebeldia
Atacaram o comércio
Fazendas à luz do dia
Pintaram o sete e o nove
Nas “catingas” da Bahia

Manoel era vital
A Coluna combateu
Mais o Horácio de Matos
Ele nunca arrefeceu
Do Recife até Rochedo
Grande peleja ocorreu

Nos cafundós do sertão
Teve uma luta aguerrida
Em diversos povoados
Em batalha bem renhida
Manoel Quirino altivo
Com sua verve atrevida

Lutaram nas Caraíbas
Em quase todo o sertão
Em Recife dos Cardosos
Pelo Aleixo e em Lapão
Combateu por Ibipeba
Uibaí e Lajedão

Lagoa do Mondubim
Ele se refugiou
Trajetória da Coluna
Se escondeu e lá ficou
Respirou por um canudo
Mas no fim ele escapou

Quirino atirava bem
Nos ritmos de Lampião
Cada tiro que ele dava
Era soldado no chão
Lagoa da Canabrava
Foi uma grande confusão

Foi por todo o Nordeste
Que ocorreu tal engrisia
Os sertanejos unidos
Lutaram com valentia
Perseguiram a Coluna
Por Sergipe até Bahia

Por todo o nosso sertão
Houve luta encarniçada
Os Batalhões Patrióticos
Fizeram grande jornada
Manoel Quirino luta
Dia, noite e Madrugada

Desertores da Coluna
Do Exército Brasileiro
Desejavam a mudança
Mas faltou o timoneiro
Atacaram o sertão
Em seu brilho altaneiro

O sertanejo aguerrido
Um valente cidadão
Manoel Quirino guia
Foi gigante em sua ação
Combateu a tirania
Que invadiu nosso sertão

Manoel não desejava
A Coluna combater
Pilharam sua fazenda
Foi um ato de estarrecer
Saquearam o comércio
Botaram tudo a perder

Era o ano um, nove, dois, seis
Com revoltosos lutou
Garimpos em Mato Grosso
Ali também atuou
Luiz Rosário de Matos
Esse filho lá deixou

Manoel Quirino ativo
No Mato Grosso morou
Na cidade de Poxoréu
Por um tempo ele ficou
Delegado de polícia
Para a Bahia voltou

Na imensidão sertaneja
Por onde Corisco andou
Conselheiro na labuta
Ao povo ele agitou
Bravo Manoel Quirino
Seu nome se eternizou

José, Ângelo Martins
Os Martins de Canarana
Com Pedrinho e a Belinha
O amor não desengana
Pedrinho fugiu do amor
Na madrugada baiana

Pedrinho amava Belinha
Mas não queria casar
Não assumiu o seu amor
Pretendia namorar
Preferiu fugir da cena
Na noite se afugentar

Escapou pelo sertão
Chapada Diamantina
Rumo a Morro do Chapéu
Foi depois pra Jacobina
Manoel Quirino em cena
A peleja se destina

Foram atrás de Pedrinho
Que fugiu do casamento
Rumou para Jacobina
A correr do sentimento
Estava em uma pensão
Fugidio em movimento

Mas no ano cinquenta e cinco
Houve uma fatalidade
Morre Manoel Quirino
Foi grande adversidade
Em Jacobina, Bahia
Perdeu-se a vitalidade

Manoel teve influência
Nos garimpos do sertão
Teve fazenda e comércio
E uma boa condição
Respeitado pelo povo
Que lhe tinha devoção

Em toda a Chapada Velha
Manoel Quirino amado
Homem de mineração
Também criador de gado
Na fazenda Pedra Lisa
Fazia o seu bom roçado

Morreu Manoel Quirino
Sua lenda continuou
É um nome legendário
Que pelo sertão ficou
Viva Manoel Quirino
Nosso povo o consagrou

Manoel Quirino uniu
As famílias do sertão
Matos, Martins e Dourado
Nas lutas com Militão
Sempre fiel a Horácio
Seu primo do coração

Grande Manoel Quirino
Parte de nossa história
De um passado glorioso
Batalha na trajetória
Bravo líder sertanejo
Patrimônio da Memória