Poema – Poetisa Patricia Campos

Vi-me em outro

Olhei para o lado
Vi-me em outro olhar
Um emaranhado
Pôs meus vidros a molhar

É tão estranho ser sensível
Ser tocado sem sentir o toque
É algo gigante, incrível
Sinto-me tubo com batoque

Que por dentro borbulha
Ferve
De uma pequena fagulha
Fez-me labareda que transcende em verve

E ao olhar tantas faces desfalecidas
Tento pegar este rio com as mãos
Mesmo sendo à mim desconhecidas
Quero dar a tais obras demãos

Na expectativa de transformá-las
Com pouco de sensibilidade
De nada vale reformá-las
Senão derrubar o passado inverno e edificá-las pelo verão alacridade

Aqui neste lugar nada muda
Sempre haverão barreiras à ultrapassar
Mas a fala permanece muda
Sem ter com que rimar

Então calam-se
Por faltar-lhes o verbo
Sem ação invalidam-se
São só palavras sem adverbo

Aleatórias
Sem sentimento
Contraditórias
Sem nenhum constrangimento

Eu as compreendo
Como queria ter aptidão
Às vezes me surpreendo
Em minha sensibilíssima vastidão

Queria que sobrevoassem
Nos céus dos seus universos
E assim conscientizassem
Cada estrela de seus inversos

Patricia Campos 🌺

7 comentários sobre “Poema – Poetisa Patricia Campos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s