Crônica : Professor Zé Carlos

NO “EMBALO” DAS CANTIGAS

Atualmente nos encontramos muito tensos, "com os nervos à flor da pele". Precisamos "desafogar" a mente e a alma. Então, vamos no "embalo" das cantigas ... Torna-se quase unanimidade a máxima de que ser "inocente" é "um sinal" de "estar fora do mundo", estar "desatenado". Algumas vezes, até ser, grosseiramente, taxado de "otário". "Cala a boca inocente!" Aparecem, então, as conotações em suas mais diversas formas. Mas, a "inocência", a ser tratada aqui, prende-se às "boas" construções - algumas vezes surreais, beirando ao absurdo, para não dizer "sem pé nem cabeça" - das cantigas que embalaram nossos sonos, infância adentro, "sem esse patrulhamento do tão politicamente correto"; o que vem se tornando "uma verdadeira chatice". Fomos"criados" em meio aos afazeres domésticos, em que nossas mães desdobravam-se insanamente para ter a casa "em ordem". Não lhes sobrava tempo "pra nada". Muito menos, "vigiarem" compositores "desmiolados". Então, o que dizer de uma criança chorona, "derretida como manteiga", que, além de abrir o berreiro, a toda hora, ainda ficava com os "olhos vidradinhos", "esbugaiados", "mais acesos que uma lamparina"? "Cheirava a um ataque de nervos". A saída única e certa, uma cantiga! Um sonífero poderoso. Um alento. "Encaramos", pois, cantigas de todos os matizes. E sobrevivemos. Sobrevivemos, bravamente. Quem "perdeu o juízo" ao ser "nanado" por um boi assustador, que pairava no quarto, a nos aterrorizar, após já sermos massacrados pela "careta", "outro bicho medonho" ?! Ou com o "berro" horripilante de um "miau", que escapou do "pau da morte", por já estar "escaldado" de tanta "manha"?! Ou com a figura temível do "carangueijo", que não se decidia ante a oscilação das marés. No mínimo bipolar. Ora peixe ora ... bolas?! Ou com as "lambadas" prometidas ao "samba lelê" - na verdade, nunca cheguei a entender o que vem a ser - que seria castigado pelo pecado de estar "doente", com a cabeça quebrada?! Ou com uma barata "desconfiada" e tão mentirosa quanto suas vestes, a azucrinar, vejam só, a cabeça do "vovô Quinquim", "valsador" exímio, mesmo com as pernas tortas?! Se fosse hoje, quantas terapias a resgatarem a autoestima dos "pequenos", implacavelmente torturados pelos "monstros das cantigas"?! "Inventaram" até a versão do "não atirei o pau no gato, e o gato não morreu", para quem nunca brincou com um "radinho", feito de uma caixa de fósforos, com um besouro dentro; ou "de médico", para os mais destemidos, que dissecavam um sapo ou uma "paquinha" com maestria ímpar. Fora outras artimanhas não recomendáveis, nos dias de hoje. Vivemos em tempos abençoados! Não éramos fracos, não. Para nossa salvação, como contra ponto, no entanto, existia o belo, o sereno, o sublime, traduzidos na majestade do alecrim, que não nascia à toa, uma vez que a sua finalidade era abençoada. Colorir e perfumar nossos sonhos. Também, da nossa rua, linda, ricamente "lastreada" por ladrilhos de brilhantes, para servir de passarela aos amantes e palco sagrado das nossas brincadeiras; e de Teresa, a escolhida de Jesus, Senhor amado, que, ao se salvar de um providencial tombo, eternizou o amor. Realmente, escapamos ... Amém! ... do bombardeio de um tal de "Ilariê" e "do vizinho comedor de coelhinho"!

Zé Carlos

Poema : Poetisa Patricia Campos

Derrubar muralhas

É preciso força para viver
Não baixar a cabeça
Por onde estiver
Que a pura intenção prevaleça

Mesmo que pese os passos
Matenha seu olhar adiante
Não aceite fracassos
Permaneça confiante

Se não fizer por você quem fará?
Não aceite migalhas
O mal só desfará
Quando de si derrubar muralhas

É preciso ter firmeza
O amor por aliado
Em meio aflição, destreza
O olhar descomplicado

Cuidados com seu coração
Há de ser minucioso
Conquistar inspiração
É para o audacioso

Que não tem medo de enfrentar
Os gigantes que moram dentro
Que retorna ao rudimentar
Que mergulha seu mar adentro

Para transformar seu estado
Acalmar suas ondas
Revirar o lado
Até tornar água branda

Cristalina e transparente
Poder matar a sede
Que seja remanescente
Sabedoria que excede

Sobremaneira
Que trará para si leveza
Alma verdadeira
Permita-se esta natureza

De ter a paz alojada
Sendo berço acolhedor
Uma flor despojada
Do malmequer sofredor

Patricia Campos 🌺

Poema : Poetisa Michele Mi

Banquete da vida

Olá! O que desejas?
Qual sua encomenda?
Há abundância em minha despensa
Manjares, refrescos e sobremesas

Um banquete a seu dispor
Mesa farta de sabedoria
Sua alma provará o sabor
Recheios de rimas na poesia

O valor é a compreensão
Cada detalhe feito com amor
Palavras que tocam o coração
Transbordando a alma de resplendor

Refrigério das canções
Acalanto ao nosso imo
Profundas narrações
Capazes de mudar o destino

Afago ao desconsolado
Alegria ao peito contrito
Fortaleza aos cansados
Paz ao ventre atrito

Presente inesperado
Remetente celestial
Asas de anjo alado
Endereço mental

Alimentos diários
Que sustentam novo ser
Enobrece nosso relicário
Faz a alma resplandecer

Nada é por acaso
Momento mais que certo
Pontual, sem atraso
Sua encomenda lhe entrego

Michele Mi ❤️
Poema sugerido por: Eliézer Rogério – Jaraguá do Sul/SC

Participe você também dos poemas! Faça sua sugestão enviando um tema. Ele será veiculado aqui e no site razaodavida.com acesse!

Poema : Poetisa Ayda de Macedo

Será mesmo o destino?
Ayda de Macedo

De repente, nos achamos
E entendemos que vivíamos
como pássaros sem ninhos.

Que sei eu de ti
Que sabes tu de mim
Que sabemos nós do destino
Que cruzou as nossas vidas
E hoje nos faz trilhar
Por diferentes caminhos?

Embora distantes
Eu te quero, tu me queres
Com essa força desconhecida.

Acredito que nunca amei a alguém assim
Que antes de mim
Nunca houve um outro amor na tua vida.